quarta-feira, 23 de abril de 2008

Estou aqui pelo teu desprezo, pela forma indiferente que ages diante do meu ser, não me importa tuas atitudes. O que mais me intriga é a tua forma de banalizar o que existiu entre o nosso ser, se é que podemos chamar de ser. Diante das várias máscaras que usas diante da vida, jamais saberia se conheci realmente o ser. Tenho me lembrado de ti, às vezes visito o teu túmulo e me lembro de alguns momentos bons. Queria poder lhe contar que estão usando o teu corpo, às vezes me desespero, quando chego a acreditar que realmente seja você, mas a essência, a essência é completamente oposta da tua. Deixo flores, para que todos quando por tua sepultura passar perceba que havia alguém para cuidar de ti, e encher-lhe de rosas, para que o odor de um mundo cruel jamais se ressaltasse diante de ti.

A vergonha que carregas do que vem de dentro de ti, a ignorância ao achar que não és digna de ser presenteada, a imaturidade de fugir de si mesma, apenas provas de falta de amor próprio. É claro, como se amar? O teu ser já foi velado. É imaginável o quão difícil é amar os robôs que a sociedade transforma... opsss... Ser humano.





[Ivana Andrade]

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A angústia ao ser enterrado vivo,
À flor da idade.
O desespero, o medo de vir a falecer
impulsionado pelo coração.
A saudade a explodir sob a terra.
Do que adiantou toda musicalidade,
se dedicada ao surdo?
Sob a terra houve a explosão...
De nada adiantou,
o surdo continuou sem nada escutar.
Veio a falta de ar, o adormecer...
... e todos adotaram o papel do surdo.


[Ivana Andrade]