
sei que jamais conseguiremos encontrar outrem, da forma como nos encontramos.
desde um primeiro olhar, aquele que não pôde deixar de penetrar.
desde o primeiro beijo, como se pertencêssemos uma a outra, corpo a corpo.
vontade enlouqüente, tua boca, teu corpo, teu sorriso no meu!
do que adianta as mais belas palavras na ponta da língua,
se elas jamais poderão ser ditas.
do que adianta carregar a intensidade de um abraço,
se finges que não se aconchega.
do que adianta os olhares falarem por si só,
se deixas que a boca fale mais alto.
do que adianta sentir saudades, se não quer poder matá-la,
para que ela renasça.
do que adianta carregar o peso de um mundo,
se não quer dividi-lo,
para que não haja cicatrizes tão profundas.
do que adianta ter os seios que deseja ser o teu aconchego,
se finges que não sente vontade.
do que adianta carregar a química o quão intensa é... esqueça, apenas esqueça!
entretanto o gosto do teu corpo persegue minhas noites mais ardentes,
em meus sonhos o teu beijo transformado em um só,
línguas, seios, corpo a corpo numa noite inteira,
até mesmo o teu cabelo que não deixara de se envolver aquietou frente a tamanha
intensidade.
[Ivana Andrade]
